EDER MOLEDA: DRINKS COMO MEMÓRIA, OFÍCIO E MARCA
De um encantamento nos bares do início dos anos 2000 ao Khalua Drinks consolidado em Uruguaiana, a trajetória de um empreendedor que transformou disciplina, técnica e parcerias em reputação e legado. Por Camilla CompagnoniFotos: Gustavo Sobeldia Algumas trajetórias não começam com planejamento. Começam com um impacto silencioso, daqueles que mudam o rumo da vida sem […]
Por admin 19/06/2026 - Atualizado em 19/06/2026
De um encantamento nos bares do início dos anos 2000 ao Khalua Drinks consolidado em Uruguaiana, a trajetória de um empreendedor que transformou disciplina, técnica e parcerias em reputação e legado.
Por Camilla Compagnoni
Fotos: Gustavo Sobeldia
Algumas trajetórias não começam com planejamento. Começam com um impacto silencioso, daqueles que mudam o rumo da vida sem que se perceba imediatamente. A história de Eder Lucas Moreira Moleda teve início assim, no começo dos anos 2000, durante uma viagem a Porto Alegre. Em uma noite na boate Discovery, em Cachoeirinha, ele viu pela primeira vez a coquetelaria sendo tratada como experiência. Não era apenas a bebida servida no copo, mas o movimento das garrafas, o cuidado com os ingredientes e a atenção ao público que transformavam o bar em um verdadeiro espetáculo. “Ali eu percebi que preparar um drink podia ser uma arte”; relembra.
De volta a Uruguaiana, aquela impressão permaneceu. Nos anos seguintes, lugares como a boate Portezuelo e o bar Pier 7 ajudaram a consolidar o interesse por aquele universo. O que começou como curiosidade virou vontade de aprender. Em 2003, ao participar de um workshop de coquetelaria realizado no próprio Pier 7, Eder decidiu investir de verdade na área. Naquele momento, conciliava o aprendizado com o serviço no Exército, ambiente que também moldaria sua postura profissional. “A disciplina que aprendi no quartel me acompanha até hoje”; afirma.
Em eventos oficiais, como passagens de comando e datas comemorativas, os coquetéis faziam parte da cerimônia, e foi ali que ele começou a perceber que aquela habilidade poderia se transformar em algo maior. “Ali eu entendi que não era só um hobby. Era algo que poderia virar trabalho”; recorda.
NASCIMENTO DO KHALUA DRINKS
O Khalua começou a nascer antes mesmo de existir formalmente. Em 2007, ainda no quartel, colegas de farda passaram a ajudar Eder na preparação de coquetéis durante eventos institucionais. A colaboração espontânea foi, aos poucos, ganhando forma de equipe. Cada um aprendia um gesto, assumia uma função e contribuía para que o serviço funcionasse melhor. Sem perceber, estavam criando algo que já tinha ritmo, padrão e espírito coletivo. “Foi algo muito natural. Quando vimos, já existia uma equipe trabalhando junto”; conta.
A formalização veio em 2009, após sua saída do Exército. Determinado a estruturar o projeto, Eder realizou um workshop de drinks no antigo Bar Santa Pimenta, com o objetivo de capacitar pessoas e selecionar talentos que pudessem integrar o Khalua Drinks. Transformar uma paixão em empresa exigiu organização, método e persistência. Mais do que dominar receitas, era necessário criar padrão de atendimento, identidade e compromisso com o cliente. “Eu queria formar uma equipe que tivesse o mesmo cuidado e a mesma responsabilidade com o trabalho”; explica.
O DESAFIO DE EMPREENDER EM URUGUAIANA
Empreender em Uruguaiana trouxe desafios específicos. Nos primeiros anos, como acontece com muitos negócios, foi preciso compreender o mercado e identificar o público que realmente se conectava com a proposta do Khalua Drinks. Durante um longo período, uma das dificuldades foi conquistar indicações dentro do próprio setor de entretenimento, algo que costuma ser decisivo para quem atua no universo de eventos. “A confiança das pessoas não se constrói da noite para o dia”; afirma Eder.
A resposta para esse cenário veio através das parcerias. Aos poucos, o relacionamento com decoradores, mestres de cerimônias, bares, restaurantes e organizadores de eventos foi fortalecendo o nome Khalua Drinks no mercado. O networking deixou de ser apenas estratégia e passou a ser parte da identidade do negócio. “A grande sacada foi entender que ninguém cresce sozinho”; explica o empresário. Com o amadurecimento dessas relações, o público passou a reconhecer o trabalho e indicá-lo com segurança, consolidando a marca como referência positiva em eventos da região.
Nem mesmo a pandemia interrompeu essa trajetória. Com o setor de eventos praticamente paralisado, aquele foi o período mais difícil da caminhada. Ainda assim, desistir nunca foi uma possibilidade. “A palavra desistir não faz parte do meu vocabulário”, afirma. Para ele, momentos de crise exigem análise, adaptação e coragem para continuar. Hoje, ao olhar para trás, uma das maiores conquistas está dentro da própria família. Ver o filho completar 18 anos e seguir o trabalho que começou antes mesmo de ele nascer transformou o Khalua em algo ainda mais significativo. “Ver minha família ao meu lado tocando o negócio é a maior realização”; diz.
I LOVE 90 E A MEMÓRIA DA CIDADE
Muito antes da coquetelaria, a primeira paixão de Eder foi a música. Nos anos 90, ele já animava festas entre amigos e familiares, sendo conhecido como o “DJ da família”. Décadas depois, essa ligação com a nostalgia se transformou em um projeto que dialoga diretamente com a memória afetiva da cidade: o perfil I Love 90 Uruguaiana. Ali, fotografias, músicas e lembranças despertam histórias que marcaram uma geração inteira.
Para Eder, ver as pessoas se reconectando com essas memórias têm um significado especial. “Eu não meço esforços para ver as pessoas revivendo aqueles momentos”; conta. Assim como acontece com os drinks preparados nos eventos, a nostalgia também cria encontros e fortalece laços. A mesma cidade que assistiu ao nascimento do Khalua também se reconhece nessas lembranças compartilhadas.
Com o tempo, a própria definição de sucesso também mudou. Se no início da trajetória ele imaginava que sucesso poderia significar trabalhar como barman em um cruzeiro ou alcançar grandes conquistas profissionais, hoje o conceito ganhou outra dimensão. “Hoje eu entendo que sucesso é acordar com vontade de trabalhar e sentir orgulho do que estou construindo”; reflete.
Ao olhar para trás, Eder não vê apenas eventos realizados ou drinks servidos. Vê pessoas que passaram pela equipe, histórias que começaram atrás do balcão e encontros que celebraram aniversários, casamentos e conquistas. Vê também a própria cidade atravessando essas memórias, como se cada evento deixasse um pequeno fragmento de tempo guardado na noite uruguaianense.
É nesse entrelaçamento de trajetórias que o Khalua Drinks continua existindo. Mais do que um serviço, tornou-se presença em momentos que as pessoas escolhem lembrar. Porque, no fim das contas, alguns negócios nascem para vender algo. Outros nascem para fazer parte da história das pessoas. Éder Moleda escolheu o segundo caminho.
CONTATO
Instagram: @khaluadrinks / ilove90uruguaiana
Whats app: (55) 9 9192-2848
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