Quando a voz do agressor volta ao centro da história: Entrevista com ex-marido de Maria da Penha provoca debate sobre os limites da exposição e reacende a discussão sobre violência contra a mulher
Uma entrevista que seria exibida pelo Domingo Espetacular, da Record, envolvendo Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha Maia Fernandes, provocou forte repercussão e levantou um importante debate sobre os limites da exposição de agressores em casos de violência contra a mulher. A entrevista, conduzida pelo jornalista Roberto Cabrini, acabou não sendo exibida […]
Por admin 11/08/2026 - Atualizado em 11/08/2026
Uma entrevista que seria exibida pelo Domingo Espetacular, da Record, envolvendo Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha Maia Fernandes, provocou forte repercussão e levantou um importante debate sobre os limites da exposição de agressores em casos de violência contra a mulher.
A entrevista, conduzida pelo jornalista Roberto Cabrini, acabou não sendo exibida após uma decisão judicial. O episódio ganhou novos contornos com a prisão preventiva de Marco Antônio, que teria descumprido determinações judiciais relacionadas à sua exposição pública.
Mais do que uma questão televisiva, o caso reacende uma discussão necessária: qual deve ser o espaço concedido à versão de um homem condenado por tentar matar a própria esposa quando a história envolve uma das maiores referências brasileiras no combate à violência doméstica?
Maria da Penha foi vítima de duas tentativas de homicídio em 1983. Na primeira, levou um tiro enquanto dormia. Posteriormente, sofreu uma tentativa de eletrocussão. As agressões deixaram sequelas permanentes e a tornaram paraplégica.
Seu longo percurso em busca de justiça ajudou a transformar a realidade de milhares de mulheres brasileiras. Em 2006, foi criada a Lei nº 11.340, a Lei Maria da Penha, marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Entre informação e responsabilidade
O jornalismo tem o papel de investigar, ouvir diferentes versões e levar informação à sociedade. Mas, em histórias marcadas pela violência, a forma de apresentar essas narrativas também exige responsabilidade.
Dar espaço ao agressor não pode significar apagar a trajetória da vítima, relativizar a violência ou deslocar o foco de quem sofreu as consequências do crime.
O episódio envolvendo o ex-marido de Maria da Penha demonstra que, mesmo 20 anos após a criação da lei que leva seu nome, ainda existem importantes discussões a serem feitas sobre violência contra a mulher, inclusive sobre a maneira como esses casos são retratados publicamente.
A história de Maria da Penha permanece como símbolo de resistência e transformação. E seu legado reforça uma mensagem que continua urgente: a violência contra a mulher não pode ser normalizada, relativizada ou transformada em espetáculo.
Por: Cristiane Amaral
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