VOLTA ÀS AULAS: ADAPTAÇÃO ESCOLAR, DESAFIOS E O PAPEL DA FAMÍLIA
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VOLTA ÀS AULAS: ADAPTAÇÃO ESCOLAR, DESAFIOS E O PAPEL DA FAMÍLIA

A educadora Katia Langendorf Soares explica por que o início do ano letivo é um processo vivido em conjunto, que envolve criança, família e escola. Por Camilla Compagnoni A volta às aulas costuma ser um período delicado para muitas famílias. Expectativa, insegurança, ansiedade e até culpa fazem parte desse momento que marca novos começos. Para […]

Por admin 19/07/2026 - Atualizado em 19/07/2026

A educadora Katia Langendorf Soares explica por que o início do ano letivo é um processo vivido em conjunto, que envolve criança, família e escola.

Por Camilla Compagnoni

A volta às aulas costuma ser um período delicado para muitas famílias. Expectativa, insegurança, ansiedade e até culpa fazem parte desse momento que marca novos começos. Para Katia Langendorf Soares, compreender o que é a adaptação escolar é o primeiro passo para que esse período seja vivido com mais segurança.

“A adaptação é fundamental para identificar os limites e as necessidades de cada criança. Muitas famílias também vivenciam esse momento como um período de aprendizado e construção de confiança.”

Segundo ela, não se trata apenas da criança se acostumar a um novo espaço, mas de um processo que envolve todos.

O ACOLHIMENTO COMO BASE DO PROCESSO

Ao falarmos em adaptação, consideramos tanto a criança quanto a família, reconhecendo que esse é um processo vivido em conjunto. Katia explica que existem diferentes formas de adaptação. 

“Há adaptações mais tranquilas, quando criança e família estão preparadas. Em outros casos, o início ocorre de forma mais fácil, mas, após alguns dias, a criança passa a estranhar o novo contexto, o que pode gerar insegurança na família. E também existem situações em que a criança ainda não está preparada para vivenciar o ambiente escolar.”

Cada criança reage de uma maneira. Para a educadora, é importante diferenciar o que é esperado do que exige atenção.

“A criança que apresenta choro no momento da chegada e da despedida da família, mas que posteriormente permanece bem, está dentro do esperado no processo de adaptação. Já a criança que chora e permanece nesse estado durante todo o período requer uma atenção mais cuidadosa e acompanhamento mais próximo.”

O papel da escola é decisivo nesse período. Katia destaca a importância da postura da professora responsável.

“A professora deve utilizar recursos diversificados, atrativos, lúdicos e envolventes.”, explica. Além disso, o vínculo afetivo estabelecido pela profissional é um aspecto fundamental nesse período, pois o acolhimento, o carinho e a segurança transmitidos favorecem a construção da confiança da criança no ambiente escolar.

O PAPEL DA FAMÍLIA NA CONSTRUÇÃO DA SEGURANÇA

Para Katia, a adaptação não acontece apenas dentro da sala de aula. “É fundamental que as famílias conheçam o espaço escolar para que se sintam seguras nesse ambiente, pois a segurança transmitida por elas é essencial para que as crianças também se sintam confiantes.”, afirma. 

Ela reforça que a criança reflete o contexto familiar e que o engajamento dos responsáveis faz diferença em todo o processo. O alinhamento é outro ponto central. “Família e escola precisam dialogar de forma alinhada, com uma comunicação clara e objetiva.”

Esse diálogo contínuo contribui para que o processo aconteça de maneira mais tranquila e coerente.

CADA IDADE, UM TEMPO DIFERENTE

A faixa etária também é um fator que interfere na adaptação. Na Educação Infantil, o processo de adaptação é predominantemente afetivo, ocorrendo com maior facilidade com bebês e com crianças a partir dos três anos. Já na faixa etária de um a dois anos, esse processo tende a ser mais desafiador e, muitas vezes, mais prolongado. Quando a adaptação não acontece como esperado, Katia explica que é preciso avaliar o momento da criança. “Quando o processo de adaptação não ocorre, solicitamos que a família retorne em outro momento, quando a criança estiver mais preparada. Nem sempre o desafio está no ambiente ou na profissional, mas na própria criança, que pode não estar pronta para vivenciar aquela experiência naquele momento.”

Para as famílias que vivem agora a volta às aulas, ela orienta: “Manter uma rotina, respeitando os horários combinados na escola, é fundamental. Motivar a criança por meio de conversas ou envolvendo-a nos preparativos, como arrumar a mochila e o lanche, acompanhar a agenda e as atividades, também é importante para favorecer sua organização e participação.”

No fim, a adaptação não é apenas sobre entrar em uma sala nova. É sobre construir confiança passo a passo. É sobre transformar despedidas em reencontros seguros. É sobre ensinar à criança que o mundo pode se ampliar sem que ela perca o chão. Quando há diálogo, rotina e acolhimento, o que parecia medo se transforma em pertencimento, e o início do ano letivo deixa de ser ruptura para se tornar crescimento.

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