Metaverso: o que é a economia do mundo paralelo e como ela pode ser explorada nos próximos anos

Metaverso: o que é a economia do mundo paralelo e como ela pode ser explorada nos próximos anos

O que será necessário para construir o metaverso? Como o Facebook e a Microsoft estão tentando desenvolver?

Por Acontece Mais 01/12/2021 - Atualizado em 01/12/2021

O Metaverso, esse universo na nuvem baseado em realidade aumentada, precisará de muitos recursos, anos e colaboração de corporações de diferentes setores. Criar um mundo novo é desenvolver a economia por meio de bens e serviços que ainda não existem, além de servir de inspiração para a criação de novas empresas ao longo do caminho. Especialistas concordam que é pouco provável que uma única empresa possa construir e manter o cibermundo.

A Bloomberg Intelligence calcula que a oportunidade de mercado para o metaverso pode atingir US$ 800 bilhões (R$ 4,5 trilhões) até 2024. Já o Bank of America incluiu o metaverso na sua lista de 14 tecnologias que revolucionarão a nossa vida. O metaverso compreenderá inúmeros mundos virtuais conectados entre si e com o mundo físico, eles gerarão uma economia forte, englobando o trabalho e a diversão, enquanto transformam indústrias e mercados muito tradicionais, como as finanças, os bancos, o comércio,a educação e a saúde, além, é claro, do entretenimento.

“No final da década — em 2030 —, passaremos mais tempo no metaverso que na ‘vida real'”, segundo o inventor americano Raymond Kurzweil, pioneiro no desenvolvimento de diversos avanços tecnológicos e diretor de engenharia da Google desde 2012.

O conceito do Metaverso, no entanto, não é novo. Diversos filmes e videogames online vêm desenvolvendo a ideia de mundos virtuais há décadas. Não se trata, é claro, do metaverso, mas há algumas ideias em comum.

Grandes investimentos

Como dito anteriormente, não se trata de algo novo. Porém, a novidade é o volume de investimentos que o metaverso vem recebendo, além da crescente aceitação dos ativos digitais em uma população cada vez mais nativa do mundo digital.

Segundo o próprio fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, no universo digital que será o metaverso, “você poderá se teletransportar instantaneamente como um holograma para chegar ao escritório sem necessidade de deslocamento, a um concerto com os amigos ou à sala da casa dos seus pais para saber das novidades”.

E, ao contrário da realidade virtual atual, que é principalmente utilizada para videogames, o metaverso poderá englobar o entretenimento, os jogos, shows, cinema, o trabalho, a educação e muito mais. E isso fará com que se desenvolvam novas empresas e tecnologias nesses setores específicos.

Shows, conteúdo e entretenimento

A cantora Ariana Grande, o DJ Marshmello e o rapper Travis Scott já se apresentaram no famoso videogame Fortnite, da Epic Games, em uma demonstração de como poderia ser o futuro dos shows musicais no metaverso.

Até 12,3 milhões de jogadores da plataforma chegaram a se reunir em tempo real em abril do ano passado para presenciar o lançamento da música The Scotts, composta pelo super astro do rap Travis Scott e seu colega Kid Cudi. Inclusive, até o ratinho Mickey parece estar pronto para interagir no metaverso. O diretor-executivo da Disney Bob Chapek afirmou que o conglomerado está se preparando para dar um salto tecnológico rumo ao mundo da realidade virtual nos seus parques temáticos.

E, a experiência não ficaria limitada aos parques. “Estender a magia dos parques da Disney para os ambientes domésticos é uma possibilidade real”, segundo ele. “A geração Z impulsionará a mudança para o metaverso e o uso de hologramas, além de maior criação de conteúdo para os mundos virtuais. Essa ação poderá beneficiar o setor, ainda que em prazo muito longo”, segundo o relatório do Bank of America.

Os provedores de conteúdo, que incluem filmes (Disney), televisão (Discovery Channel), esportes (Fox Sports), música (Universal Music Group, Live Nation), provedores de plataformas (Netflix) e jornais (The New York Times) começaram a fazer experiências de imersão em 3D.

O diretor da saga O Senhor dos Anéis, Peter Jackson, recentemente anunciou a venda do seu estúdio de efeitos especiais, Weta Digital, para uma empresa de software americana (Unity) que quer desenvolver o metaverso — uma operação que demonstra o movimento muito rápido do setor. “Oferecer assentos de imersão na “primeira fila” de um evento esportivo, show musical ou desfile de moda poderia ser lucrativo para as empresas e aumentaria a acessibilidade de eventos ao vivo”, segundo o relatório do Bank of America.

Grandes desafios

Os especialistas concordam que ainda há um longo caminho a ser percorrido antes de podermos ver o metaverso materializado. O ex-engenheiro da IBM Thomas Frey recorda que a infraestrutura da internet, a possibilidade de ter um grande número de participantes interagindo em tempo real, as barreiras do idioma e os problemas de latência (o tempo decorrido para abrir uma página web ao clicarmos nela) são os principais desafios do metaverso.

Serão necessários computadores e chips de processamento de gráficos e vídeo mais potentes e as companhias mais importantes do setor, como NVIDIA, AMD e Intel, já vêm trabalhando neles. O desenvolvimento de toda essa tecnologia oferecerá novas oportunidades de negócios para todos os fabricantes de microchips.

Outro setor que promete transformações é o da educação.

“A ideia fundamental é baseada na aprendizagem adaptativa, que existiu por muitos anos”, segundo Haim Israel, Felix Tran e Martyn Briggs, estrategistas da BoA Merrill Lynch. “As lições mudam de resposta de acordo com as reações dos estudantes sobre a matéria, como inclinar a cabeça ou até pegar no sono. Podem ser criados questionários, vídeos e explicações adicionais para aumentar a compreensão ou animar a aula”, acrescentam eles.

No campo da educação superior, tudo indica que as universidades criarão seus próprios campi virtuais, o que poderia aumentar o número de estudantes.

As possibilidades são quase infinitas. Os estudantes de astronomia poderiam observar a colisão de galáxias e a aula de história da arte poderia ocorrer na Capela Sistina.

Cada vez mais usuários procuram soluções digitais para assistência médica e a pandemia exacerbou essa tendência. A medicina e a telemedicina poderiam ter um campo para crescer e desenvolver novos serviços.

O mesmo aconteceu com o comércio eletrônico. Gigantes como a Amazon e o Mercado Livre viram suas vendas multiplicar-se e o Bank of America acredita que o metaverso levará os consumidores a comprar mais nos mundos virtuais.

Para Benjamin Dean, todo esse novo comércio precisará de moedas alternativas que convivam com o dinheiro existente: dólares, euros, ienes, reais…

“A linha divisória entre a realidade física e a virtual vem se dissipando e isso continuará a acontecer durante a próxima década”, afirma ele.

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