Formação de assassinos
O crime começou muito antes Não foi um acidente. Não foi impulso. Não foi “brincadeira”. O que fizeram ao Cão Orelha foi um ensaio. Um treino consciente de crueldade. Estes jovens não surgiram do nada. Alguém os educou. Alguém normalizou a crueldade, o riso perante a dor, a ausência total de empatia. Pais que agora […]
Por admin 29/01/2026 - Atualizado em 29/01/2026
O crime começou muito antes
Não foi um acidente. Não foi impulso. Não foi “brincadeira”. O que fizeram ao Cão Orelha foi um ensaio. Um treino consciente de crueldade.
Estes jovens não surgiram do nada. Alguém os educou. Alguém normalizou a crueldade, o riso perante a dor, a ausência total de empatia.
Pais que agora se escondem atrás do choque tardio falharam antes, quando a violência ainda parecia pequena, aceitável, “coisa de miúdos”.
Quem cresce sem limites claros aprende que tudo é negociável, inclusive a vida do outro.
E a violência contra animais não é um detalhe irrelevante: é um sinal conhecido de risco real, inclusive de futuras agressões contra mulheres. Fingir que não se vê é escolher não agir.
Quando a sociedade corre a proteger os agressores, e os pais a pedir compreensão, está a empurrar o custo para as próximas vítimas. A impunidade não educa. Autoriza.
Esses jovens não são “casos isolados”. São produto de uma sociedade covarde, que passa a mão na cabeça da violência masculina enquanto enterra as vítimas. Uma sociedade que protege o futuro dos agressores e aceita o extermínio dos vulneráveis como dano colateral.
Quem mata um animal por diversão já cruzou a linha. Já provou que a vida do outro não tem valor. Já mostrou que a empatia não existe. E quando a empatia não existe, o próximo alvo é sempre quem tem menos poder: mulheres, crianças, idosos. Sempre foi assim. Sempre será.
Não, não “podem vir a tornar-se perigosos”. Já são!
O perigo não é hipotético. É real. É presente. Está documentado em estudos, em processos-crime, em cemitérios cheios de mulheres mortas por homens que começaram “só” a magoar animais.
Cada tentativa de relativizar este crime é uma autorização explícita para o próximo. Cada silêncio institucional é um aval. Cada desculpa é uma sentença adiada para outra vítima.
Depois, quando uma mulher aparecer espancada, violada ou morta, virão as mesmas vozes dizer que “ninguém podia prever”. Podia. Foi previsto. Foi avisado. Foi ignorado.
O Cão Orelha não morreu apenas pelas mãos de quem o matou. Morreu também pela hipocrisia de quem prefere proteger monstros em formação do que impedir tragédias anunciadas.
Isto não é um caso animalista.
É um caso de segurança pública.
E quem não entende isso escolheu, conscientemente, ficar do lado errado.
Por: Cristiane Amaral
Estou Lendo



