A LOGÍSTICA E A PANDEMIA: IMPORTÂNCIA, DESAFIOS E OPORTUNIDADES

A LOGÍSTICA E A PANDEMIA: IMPORTÂNCIA, DESAFIOS E OPORTUNIDADES

Saiba mais sobre a logística e os enfrentamentos impostos pela pandemia do novo coronavírus.

Por Colaboradores 08/09/2020 - Atualizado em 30/10/2020

Nas postagens anteriores foi possível sabermos de onde provém a logística e quais são suas origens. Depois, conseguimos vislumbrar a logística em nossas vidas, no dia a dia de cada um. Agora, tentaremos passar a vocês como a logística está atuando durante a Pandemia do Coronavírus, seus desafios e oportunidades, além da sua importância durante esse momento que o mundo enfrenta.

A pandemia da COVID-19, ou Coronavírus como é conhecida popularmente, acabou pegando todos de surpresa e causou diferentes consequências para os mais diversos setores do mundo. Primeiramente, notamos um alerta geral no setor de saúde, logo em seguida vieram as mudanças na forma como trabalhamos, nos relacionamos e também como consumimos. Governos, autoridades nacionais e internacionais foram forçadas a tomarem medidas sem precedentes, como bloqueio de viagens entre países e até mesmo entre cidades, restringindo a movimentação de pessoas, numa tentativa de controlar a propagação exponencial da pandemia. Além destas, foram também tomadas medidas quanto à movimentação de mercadorias e o comércio entre estes.

Consequentemente, isso afetou o comércio global e a cadeia de abastecimento, que quase paralisou. As operações de importação e exportação foram atingidas diretamente, comprometendo o envio de produtos e mercadorias. Por conta disso, empresas de logística vêm adotando mudanças em prol da produtividade e manutenção do bom funcionamento, onde se pode notar diversos setores e empresas unindo esforços para reagir diante dessa inesperada crise que ainda não tem data estipulada para acabar.

Sabemos que o setor logístico é responsável não só pelas operações internacionais, como também as nacionais, de entrega e distribuição de produtos, entre eles os considerados essenciais no período de quarentena. Em poucos meses desse quadro que vivemos, o mundo dos negócios, como conhecíamos, ruiu e exigiu das empresas uma rápida adaptação e até mesmo reinvenção de seus modelos de negócio.

“A pandemia da Covid-19, por exemplo, fez impulsionar os planos de continuidade de negócios e acelerar o processo de transformação digital, colocando-a em outro patamar”, avalia Marcelo Almeida, doutor em transportes pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador e coordenador de projetos da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (Face-UnB). Podemos notar isso em dados, como é o caso do setor de e-commerce no Brasil, o qual cresceu mais de 80% em comparação com o mesmo período do ano passado. Perante tal contexto, é possível presumir que os gastos logísticos também aumentaram porporcionalmente com a crescente adoção dessa modalidade de vendas.

Muitos países restringiram ou até mesmo interromperam voos internacionais e viagens aéreas. O setor naval também foi atingido, pois os navios são colocados em quarentena por semanas antes de serem autorizados a entrar nos portos. Caminhões ficam parados em portos ou fronteiras internacionais, aguardando autorizações, testes ou procedimentos burocráticos. Isso, por sua vez, reduziu a capacidade do fluxo logístico, retardando os processos e a chegada de produtos e itens básicos aos seus consumidores.

Ao mesmo tempo, as matérias-primas e produtos manufaturados não conseguem chegar aos seus locais de destino devido a bloqueios. Além disso, a demanda por matérias-primas reduziu para as commodities mais comercializadas, uma vez que a maioria dos países agora exige medicamentos, produtos farmacêuticos, suprimentos e equipamentos médicos. Também há uma grave escassez de mão de obra nas instalações de cargas, terminais, portos de embarque, depósitos, armazéns, alfândegas, autoridades governamentais e assim por diante devido a bloqueios que mais uma vez dificultam qualquer escopo de movimento da cadeia de abastecimento.

Apenas mercadorias essenciais têm preferência de circulação. Os setores de vestuário, moda, eletrônicos e outros setores que atendem à categorias não essenciais de bens são severamente impactados com menor ou nenhuma demanda durante os bloqueios, exigências burocráticas dos países ou até mesmo regiões destes. As preocupações são atrasos nas entregas, nas aquisições de mercadorias, interrupções inesperadas no trânsito e falta de mão de obra. Em suma, o déficit entre demanda e oferta aumentou.

Em compensação, muitos empreendedores conseguem vislumbrar uma oportunidade em meio à crise pois, conforme afirmam, muitas pessoas que começaram a comprar online e gostaram dessa maneira de comércio (compra e venda), irão continuar se utilizando da mesma. Consequentemente, os pilares do e-commerce precisam estar preparados para isso. A entrega sem contato, por exemplo, se tornará normal a todos. Desta forma, a preocupação com os CDs (Centros de Distribuição) nunca mais serão iguais. A pandemia acelerou as transformações e isso foi muito bom, mas ainda há muito a fazer e melhorar.

Num primeiro momento dessa “nova forma de compra e venda”, notamos que as principais buscas foram por produtos de primeira necessidade, tais como alimentos, produtos de higiene pessoal e fármacos, os quais por sua vez representam os segmentos que apresentaram os melhores índices de crescimento nos últimos meses. Esforços conjuntos vêm sendo tomados, tanto na readequação da política das empresas, quanto na conscientização e preparação de funcionários que estão atuando nessas áreas, com intuito de garantir a segurança dos colaboradores e consumidores.

Perante este cenário global, a importância do setor logístico se torna mais evidente, nos permitindo vislumbrar o papel fundamental que ele possui na economia mundial. A logística permite que o país continue funcionando minimamente, sendo responsável pelo fluxo de mercadorias, o qual irá abastecer o consumidor final. O abastecimento é importantíssimo e precisa continuar. Enquanto o quadro de incertezas permanecer, o fluxo de produtos fluido é imprescindível para que a economia não entre em colapso.

Embora a pandemia COVID-19 tenha impactado negativamente em muitos setores e forçado muitas empresas a encerrar as operações por vários meses, o setor logístico permaneceu resiliente durante todo o surto, demonstrando uma habilidade de se adaptar às necessidades e demandas dos consumidores em rápida mudança, seja na entrega de equipamentos de EPIs aos trabalhadores ou artigos básicos de casa para consumidores que se isolaram.

Muitos investidores têm utilizado uma abordagem do tipo ‘esperar para ver’ durante a pandemia, mas, à medida que o planeta vai saindo do bloqueio, as atividades começam a aumentar. Embora ainda haja incerteza sobre quando as coisas voltarão ao ʺnovo normalʺ, uma coisa é certa, a pandemia de COVID-19 elevou o perfil do setor logístico e, sem dúvida haverá vítimas ao longo do caminho, a indústria vai sair da pandemia mais forte do que nunca e isso terá um impacto perceptível na atividade de M&A (Mergers and Acquisitions, traduzindo para o português: Fusões e Aquisições) no setor.

As empresas de distribuição estão empenhadas em fazer a sua parte no apoio à indústria durante a pandemia. Os centros de distribuição e atendimento têm visto um aumento significativo na atividade desde que a pandemia começou. Isso se deve em parte ao aumento nas compras online e criou maiores oportunidades de emprego no setor, o que é importante para a economia, dados os quadros preocupantes em todos os setores.

A reviravolta com a pandemia do coronavírus está levando mais empresas a considerarem a automatização da distribuição e do atendimento. Com o crescimento considerável do consumidor para compras online e as práticas de distanciamento social, as operações de depósito aumentam os desafios nas redes de logística já sobrecarregadas. Embora as operações de atendimento ainda dependam em grande parte do trabalho humano, as empresas têm incorporado mais tecnologia nos últimos anos, à medida que buscam aumentar a produção e lidar com as oscilações na demanda com mais eficiência. A Covid-19 está acelerando essa mudança.

A pandemia destacou a importância da flexibilidade operacional que alguns tipos mais novos de automação podem fornecer, um deles a capacidade de aumentar ou diminuir rapidamente sem dispensar ou reconfigurar trabalhadores se tornou muito importante e estes esforços conjuntos de toda a cadeia de serviços essenciais possibilitam que pessoas possam receber os produtos e alimentos que necessitam na comodidade do lar com mais segurança e rapidez.

Isso nos leva a considerar que as pessoas precisam se atualizar nas novas tecnologias que surgem e se adaptarem aos novos cenários de trabalho e serviços.

Acredita-se que a chave para o crescimento da economia é manter o consumo público, melhorando seu poder de compra. Além disso, os investimentos devem ser simplificados, principalmente para os investidores nacionais. Acredita-se que diversos setores logísticos continuarão crescendo em meio ao “novo normal”, aos quais incluem serviços de armazenamento para necessidades básicas e produtos de varejo, logística de commodities, correios, bem como serviços de empresa para cliente e cliente para cliente.

Portanto, a colaboração é crucial, pois as empresas de logística precisam se abrir, reformar sua estrutura, desenvolver novas estratégias, novas visões e missões, bem como adotar tecnologia moderna. Há um indício significativo para a economia doméstica, visto que o volume doméstico diminuiu apenas ligeiramente. Enquanto as exportações e importações já melhoraram. A economia da China cresceu, então terá um impacto positivo para o mundo, já que esta é um dos principais polos de negócios internacionais do mundo contemporâneo.

É perceptível que a logística atual está mais relacionada a uma nova forma de gestão do que inserção de métodos e ferramentas. Colocar este novo modelo de gestão em prática requer uma mudança de mentalidade na forma como os processos logísticos são administrados.

O momento, no entanto, é de termos empatia e cuidarmos da saúde de todos, especialmente daqueles que estão trabalhando arduamente para que o mercado continue abastecido. Toda crise demanda transformação e o momento é de cautela, num cenário preocupante, mas que terá um fim, e retomaremos as atividades. A busca por soluções alternativas impostas pela crise, que estão ajudando os países a enfrentar este período, com certeza trarão bons frutos para o nosso futuro, e ainda iremos ler em livros de história sobre estas mudanças.

Por Marcelo Nascimento
Fontes:


NACIONAIS:
https://www.ecommercebrasil.com.br/
https://www.otempo.com.br/
https://mmurad.com.br/
https://www.correiobraziliense.com.br/
https://www.hrmlogistica.com.br/
https://www.logweb.com.br/artigo/

INTERNACIONAIS:
https://www.entrepreneur.com/
https://blog.ptvgroup.com/
https://www.klgates.com/
https://www.shdlogistics.com/
https://www.wsj.com/
https://www.pwc.com/

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