NICOLAS DUTRA SILVA: A PRECISÃO DO REALISMO, A SENSIBILIDADE DE QUEM SENTE A ARTE
Aos 18 anos, o artista transforma técnica e emoção em obras que ultrapassam a imagem e convidam o olhar a perceber além do visível. Por Camilla CompagnoniFotos: Duda Nogueira e Arquivo Pessoal Aos 18 anos, Nicolas Dutra Silva transforma papel e madeira em superfícies vivas. Entre o foto realismo e a gravura em madeira, o […]
Por admin 06/06/2026 - Atualizado em 06/06/2026
Aos 18 anos, o artista transforma técnica e emoção em obras que ultrapassam a imagem e convidam o olhar a perceber além do visível.
Por Camilla Compagnoni
Fotos: Duda Nogueira e Arquivo Pessoal
Aos 18 anos, Nicolas Dutra Silva transforma papel e madeira em superfícies vivas. Entre o foto realismo e a gravura em madeira, o jovem artista encontra na técnica não apenas um desafio estético, mas um exercício constante de percepção, paciência e emoção. “A pintura sempre esteve na minha vida.”, conta.
Desde pequeno, criar era algo natural. Copiar gravuras e personagens fazia parte do cotidiano, quase como uma extensão da própria curiosidade infantil. A arte nunca foi distante, mas por um período ficou adormecida. Foi durante a pandemia que ela voltou com força. Em meio ao isolamento, Nicolas passou a pesquisar sobre pintura, assistir vídeos de artistas e estudar técnicas. O que era interesse virou dedicação. O que era passatempo ganhou um direcionamento.
O primeiro passo foi desenhar tatuagens. Logo depois, veio o encontro com o foto realismo. Ali, ele encontrou mais do que um estilo. Encontrou um caminho profissional.
O realismo exige atenção quase cirúrgica. Cada rosto carrega uma estrutura própria, cada sombra pede leitura, cada traço exige decisão. Para Nicolas, essa técnica vai além da estética. Ela desenvolve percepção, raciocínio e capacidade de resolver problemas. “Cada pintura é única. É preciso entender o que deve ser feito.”, explica. A disciplina do olhar, segundo ele, transborda para a vida.
Além do papel, Nicolas também trabalha com gravação em madeira. O interesse surgiu do desejo de ampliar conhecimento e criar novas oportunidades. Papel e madeira pedem entregas diferentes. A força do traço muda. A pressão da mão muda. A leitura do material muda. Cada suporte exige uma escuta própria do artista.
Seu processo criativo é marcado por envolvimento emocional. Do primeiro traço ao último sombreado, ele procura viver a obra como se fosse a primeira vez. Para ele, finalizar um trabalho é satisfação, mas o verdadeiro prazer está no caminho. “A arte é o prazer de reviver as emoções o tempo todo.”
Hoje, além do realismo, Nicolas também explora escultura, pirografia, tinta a óleo e pintura em tecido. Essa multiplicidade fortalece a confiança. Nenhuma técnica é impossível, desde que haja atenção, amor e estudo.
O momento em que a arte deixou de ser apenas expressão e passou a ser ofício veio quando decidiu que queria viver dela. Desde o início, o objetivo sempre foi levar a arte além da contemplação. Transformá-la em profissão. Transformá-la em vida.
Na sua biografia do Instagram, ele escreve sobre sentir a arte, não apenas vê-la. E é exatamente isso que busca provocar. Mais do que entregar uma imagem fiel, Nicolas quer transmitir emoção. Quer que o observador perceba o amor que existe nos traços. Para ele, a arte é infinita. E é justamente essa infinitude que a mantém viva.
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