DR. RICARDO SILVA DOS SANTOS E O CÉREBRO COMO UNIVERSO: FILOSOFIA E CUIDADO EM NEUROCIRURGIA
Com mestrado, doutorado e pós-doutorado em Medicina e Neurociên-cias, o neurocirurgião alia ciência, filosofia e afeto em uma trajetória marcada pela técnica, pela docência e pela dedicação à família — sua maior fonte de sentido e inspiração. Natural de Porto Alegre e formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1985, […]
Por admin 27/03/2026 - Atualizado em 27/03/2026
Com mestrado, doutorado e pós-doutorado em Medicina e Neurociên-cias, o neurocirurgião alia ciência, filosofia e afeto em uma trajetória marcada pela técnica, pela docência e pela dedicação à família — sua maior fonte de sentido e inspiração.
Natural de Porto Alegre e formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1985, Dr. Ricardo Silva dos Santos pertence ao que chama, com or-gulho, de “geração raiz” da medicina. Fez re-sidencia em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital São Lucas da PUC e construiu uma carreira sólida em instituições como Hospital Moinhos de Vento, PUC-RS e Hospital Pompeia, em Caxias do Sul, onde atuou por 25 anos, abrindo residência médica e formando novas gerações de profissionais.
Nos últimos anos, sua atuação se expandiu pelo estado através do CEANE – Centro Avançado de Neurologia e Neurocirurgia.
Desde 2021, divide sua rotina entre Porto Alegre e Uruguaiana, onde atende no Centro Clínico, ao lado dos colegas, e mantém vínculo com a Santa Casa. “A carência de neurologia e neurocirurgia na Fronteira Oeste me impressionou. Aqui os desafios são grandes, mas também as oportunidades de transformar vidas”, afirma.
O CÉREBRO COMO UNIVERSO
Apaixonado pela neurocirurgia vascular, Dr. Ricardo sempre transitou também pelas neurociências. Para ele, compreender o cérebro é um exercício que exige não apenas técnica, mas também filosofia.
“A vida é probabilistica, não determinista. O cérebro, em sua plasticidade, está sempre em mo-vimento, criando novas conexões. É como qualquer músculo: quanto mais usamos, mais ele se transforma.”
Essa perspectiva se reflete também em sua vida pessoal. Um leitor voraz, costuma ter varios livros abertos ao mesmo tempo, transitando entre temas diversos. Entre as obras mais marcantes, cita “Os Irmãos Ka-ramazov”, de Dostoiévski, que lhe ensinou sobre os dilemas da alma humana.
Fora do consultório, gosta de caminhar e estar em contato com a natureza – momentos em que recarrega a mente e reorganiza as próprias sinapses.
A FILOSOFIA DO CUIDADO
Para o neurocirurgião, o verdadeiro legado da medicina não está apenas nas técnicas, mas na forma de olhar para o paciente.
“Te-nho carinho pelos doentes, preocupação genuína. Não para a minha vaidade, mas para ajudá-los. Quero ser lembrado como um amigo, alguém que esteve ao lado no momento mais difícil, e que contribuiu para a cura ou para a esperança.”
Essa postura é também reflexo de sua trajetória pessoal. Ao enfrentar um câncer renal há cinco anos, viveu de perto o que significa estar do outro lado da mesa. Dessa ex-periência, emergiu uma sensibilidade ainda maior para compreender a dor do paciente.
Acima de tudo, ele destaca o papel da família como base de tudo. Casado há 40 anos com Fátima, descreve a esposa como seu alicerce:
“O que não pode faltar no meu dia é estar em contato com ela.”
Ao lado dela, vieram também os filhos, Maurício e Carolina, que completam o sentido de sua jornada.
“Absolutamente faria tudo pelos três”, afirma emocionado, ressaltando que ser marido e pai é tão essencial em sua vida quanto sua profissão.
CÉREBRO, SOCIEDADE E PAIXÃO
Dr. Ricardo não se furta a falar sobre os desafios do nosso tempo. A velocidade das redes sociais, a superficialidade das interações e a substituição do raciocínio profundo pela distração constante preocupam o neuroci-rurgião.
“O maior risco não é a inteligência artificial, mas o desaparecimento da inteligência natural. Precisamos preservar a capacidade de pensar, questionar, decidir.”
E, para além da ciência, encontra no futebol uma metáfora potente para a vida. Colorado “até morrer”, leva para a profissão o mesmo espírito que aprendeu no estádio: fidelida-de, garra, coragem, respeito e a humildade de reconhecer a própria participação nos re-sultados.
“Características raras neste estágio do Sapiens”, diz, rindo.
Entre neurônios e bisturis, Dostoiévski e o Beira-Rio, o Dr. Ricardo revela-se mais do que um neurocirurgião: é um intérprete da condição humana. Seu olhar ultrapassa o microscópio e alcança a filosofia, a literatura e os afetos — porque compreender o cére-bro, para ele, é também decifrar a vida.
Para ele, no fim, viver é encontrar sentido em cada sinapse, em cada gesto, em cada esco-Iha que faz a existência “valer a pena”.
Como costuma lembrar, citando Marco Aurélio, “a felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos”. E, evocando Jung, reforça com um sorriso: “nascemos originais e morremos cópias”.
Reflexões que, em sua voz, deixam de ser apenas frases célebres e se tornam testemunho de uma vida inteira dedicada a pensar, sentir e cuidar – com ciência, filosofia e humanidade.
Estou Lendo



