Para quem enfrenta, para quem cuida, para quem sente- uma carta sobre o câncer e o amor que sustenta
Por Ana Paula Claus Bastos – Psicóloga (CRP 07/16033) Queridos Leitores, Há momentos em que a vida muda de tom — e o diagnóstico chega, o tratamento começa, ou o cuidado se torna rotina. Em qualquer dessas etapas, o coração se transforma. E é sobre esse movimento que quero falar. A psicologia Oncológica é tão […]
Por admin 15/10/2025 - Atualizado em 15/10/2025
Por Ana Paula Claus Bastos – Psicóloga (CRP 07/16033)
Queridos Leitores,
Há momentos em que a vida muda de tom — e o diagnóstico chega, o tratamento começa, ou o cuidado se torna rotina. Em qualquer dessas etapas, o coração se transforma. E é sobre esse movimento que quero falar.
A psicologia Oncológica é tão importante quanto os cuidados médicos. Nosso papel principal é ajudar as pessoas a encontrarem um novo significado emocional durante o tratamento. Ser escuta, acolhimento, suporte para lidar com as mudanças físicas, emocionais e familiares, resgatando o sentido de vida mesmo em meio a um processo exaustivo, doloroso e desconhecido.
A psicologia pode ser esse abrigo — um lugar para respirar, compartilhar, reencontrar o fôlego e o sentido.
Ela ajuda a reorganizar o que o medo bagunça, a dar nome ao que o coração sente, e a reconstruir a vida tornando o caminho mais leve.
Conversar com um psicólogo, participar de grupos de apoio pode aliviar o peso e transformar o medo em coragem e enfrentamento.
A quem recebeu o diagnóstico, digo: você continua sendo inteiro, mesmo diante do medo. O câncer não apaga a luz que existe em você; apenas convida a olhar com mais cuidado para dentro.
Talvez você ainda esteja tentando entender, e é normal que o coração esteja apertado. Mas quero que saiba que existe caminho, existe tratamento, existe sentido para a sua vida.
O diagnóstico de câncer costuma chegar como uma pausa inesperada na rotina. Surgem perguntas, medos e uma vontade imensa de entender o que vem pela frente. E é justamente aí que o cuidado emocional se torna essencial.
Mesmo quando há esperança e bons prognósticos, o impacto emocional é inevitável.
O diagnóstico não é apenas uma condição médica; é uma mudança emocional e existencial. Ele mexe com nossos planos, nossa identidade e com a forma como vemos a vida. Por isso, você não precisa ser forte o tempo todo. É permitido sentir, chorar, se assustar e buscar ajuda. O processo de cura começa também quando acolhemos nossas emoções, e não quando as escondemos.
Se você está iniciando essa caminhada, lembre-se: o câncer não define quem você é. Ele é uma parte da sua história, não o seu destino. Não é o fim de uma história, mas o início de um novo capítulo — um capítulo que pode ser vivido com coragem, sensibilidade e amor.
Há dias difíceis, sim, mas também superações e pequenas vitórias que renovam a esperança. Eu quero te dizer, com todo o carinho: Você ainda é você.
Seu corpo continua sendo casa, e dentro dele ainda mora a vida — viva, pulsando, querendo seguir.
O diagnóstico é um convite — dolorido, eu sei — para olhar para dentro, para rever o que realmente importa, e para descobrir forças que talvez você nem soubesse que tinha.
A quem está em tratamento, lembro: há força nas pausas, nas lágrimas, nos dias em que parece faltar coragem. Ser forte não é nunca cair, é continuar mesmo cansado, é permitir-se descansar e recomeçar.
Há vida durante o tratamento, há amor, há risadas, há dias bons e ruins. O câncer pode assustar, mas ele não apaga quem você é.
A cura não acontece só com os remédios, ela também acontece quando você se permite cuidar da alma, abrir espaço para o amor, o perdão e a esperança.
Respeite seu tempo, seu processo e seus questionamentos, mas permita-se mergulhar no desconhecido como uma oportunidade de evoluir.
E a quem cuida, o meu abraço: você também precisa de cuidado. Cuidar de alguém é um gesto de amor imenso, mas também é um caminho que pede descanso, paciência e espaço para sentir. Não é egoísmo olhar para si — é parte do amor que sustenta o outro.
E se você que lê esta carta ainda não passou por isso, fica aqui um lembrete: Prevenir é também um ato de amor. Amor pelo corpo que te carrega, pela família que te espera, pelos sonhos que ainda te habitam.
A prevenção não é apenas evitar doenças, mas viver de um jeito mais atento, presente e gentil consigo mesmo e com os outros.
Cuidar-se é também agradecer — pela chance de estar aqui, agora.
Cuidar do outro é a oportunidade de se tornar alguém melhor. Quando escolhemos ter compaixão como ato de servir, entendemos que cada pessoa carrega uma história que não conhecemos, mas podemos escolher sentir, apenas.
Cuidar da mente, cuidar do corpo, é cuidar da vida.
Com carinho, Ana Paula.
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